Gemini Enterprise: uma plataforma para desenvolver, orquestrar e governar agentes de IA

Gemini Enterprise: uma plataforma para desenvolver, orquestrar e governar agentes de IA
11:22

A primeira onda da inteligência artificial mudou a forma como as pessoas encontram informações. A próxima está mudando a forma como o trabalho é executado. À medida que os agentes de IA passam de assistentes capazes de responder perguntas para sistemas capazes de conduzir processos complexos, as empresas precisam lidar com uma nova questão: como desenvolver, distribuir e administrar milhares de agentes sem perder controle sobre segurança, identidade e governança?

É nesse cenário que o Gemini Enterprise amplia sua proposta. A plataforma reúne desenvolvimento, execução, orquestração e governança de agentes em uma arquitetura integrada, combinando modelos avançados de IA, ferramentas para desenvolvedores, uma interface voltada aos usuários corporativos e mecanismos para operar agentes em escala.

Mais do que disponibilizar novos recursos, a proposta é criar uma camada comum para que agentes possam participar de processos reais de negócio com autonomia, contexto e controles definidos.

De ferramentas de IA isoladas para uma arquitetura de agentes

À medida que o número de agentes cresce, administrar cada solução de maneira independente deixa de ser uma alternativa viável. Um agente pode ser criado por uma equipe de desenvolvimento, outro por uma área de negócio e um terceiro pode vir de um parceiro externo. Sem uma estrutura comum, essa expansão pode resultar em diferentes padrões de segurança, identidades dispersas e pouca visibilidade sobre o que cada agente está fazendo.

O Gemini Enterprise parte de uma abordagem unificada para esse cenário. Seu portfólio passa a combinar três componentes principais: o Gemini Enterprise Agent Platform, o Gemini Enterprise app e um ecossistema aberto de parceiros.

O Agent Platform é a evolução do Vertex AI voltada ao desenvolvimento e à operação de agentes. É nele que as equipes técnicas podem construir, escalar, governar e otimizar agentes capazes de executar fluxos de trabalho complexos.

Já o Gemini Enterprise app funciona como um ambiente único no qual os colaboradores podem descobrir, criar, compartilhar e executar agentes. A aplicação utiliza a infraestrutura do Agent Platform e incorpora recursos de identidade, segurança e governança, além de conectar os agentes aos dados corporativos por meio de conectores.

A terceira frente é o ecossistema de parceiros, que permite encontrar e implementar agentes especializados desenvolvidos por outras empresas dentro de um ambiente governado.

Essa combinação cria uma distinção importante: o desenvolvimento de agentes deixa de ser uma iniciativa restrita à área técnica e passa a fazer parte de uma arquitetura corporativa de uso, distribuição e controle.

Agent Platform: construir agentes é apenas o começo

No centro dessa arquitetura está o Gemini Enterprise Agent Platform, que concentra recursos para desenvolver, escalar, governar e otimizar frotas de agentes.

A plataforma organiza essas capacidades em quatro frentes: Build, Scale, Govern e Optimize.

Build: agentes capazes de trabalhar em conjunto

O Agent Development Kit (ADK) recebe uma estrutura baseada em grafos para organizar agentes e subagentes em redes capazes de conduzir processos mais complexos. Em vez de concentrar toda a lógica em um único agente, diferentes agentes podem assumir responsabilidades específicas dentro de um fluxo.

A arquitetura também amplia as possibilidades de integração com o ecossistema, incluindo suporte a MCP, permitindo que os agentes interajam com diferentes ferramentas e fontes dentro de uma estrutura mais interoperável.

Para equipes que precisam desenvolver soluções com diferentes níveis de complexidade, o Agent Platform também oferece recursos como Agent Studio, voltado à criação low-code, além do próprio ADK para abordagens pro-code.

Scale: autonomia que pode continuar mesmo sem interação humana constante

Escalar agentes não significa apenas executar mais instâncias simultaneamente. Também significa permitir que eles mantenham contexto, deleguem tarefas e continuem processos ao longo do tempo.

O Agent Runtime foi aprimorado para suportar agentes rápidos e persistentes. Com a orquestração agent-to-agent, um agente pode delegar determinadas tarefas a outro, distribuindo responsabilidades dentro de um fluxo maior.

A plataforma também introduz Memory Bank e Memory Profiles, recursos voltados à memória contextual de longo prazo. Com eles, os agentes podem recuperar preferências e históricos do usuário em diferentes sessões.

Isso muda uma característica importante da interação com IA. Em vez de cada execução começar praticamente do zero, o agente pode carregar contexto relevante para continuar uma atividade ou adaptar sua atuação ao histórico daquele usuário.

Govern: autonomia com identidade, rastreabilidade e proteção

Quanto maior a autonomia, maior a necessidade de saber qual agente está executando uma ação, em qual contexto e com quais permissões.

A arquitetura do Gemini Enterprise incorpora mecanismos de governança diretamente ao ciclo de vida dos agentes. O Agent Identity atribui uma identidade criptográfica única a cada agente, criando uma base para rastreabilidade e auditoria.

O Agent Gateway funciona como uma camada de controle das interações entre agentes e dados, ajudando a garantir que essas conexões ocorram dentro das políticas de segurança estabelecidas.

Já o Model Armor atua na proteção contra ameaças como prompt injection, tool poisoning e vazamento de informações sensíveis.

O ponto central é que segurança não aparece apenas depois que um agente é colocado em produção. Ela é incorporada à própria arquitetura que permite sua execução.

Optimize: testar antes de colocar em produção

Outro desafio dos agentes autônomos é entender como eles irão reagir quando expostos a situações que não foram previstas durante o desenvolvimento.

O Agent Simulation permite realizar testes com cenários próximos de situações reais antes da disponibilização do agente. Em vez de depender exclusivamente de tentativa e erro em produção, as equipes podem avaliar seu comportamento antecipadamente.

A Agent Observability complementa esse processo com uma visão em tempo real sobre segurança e desempenho, permitindo acompanhar se os agentes estão operando conforme o esperado.

Essa combinação aproxima o desenvolvimento de agentes de uma disciplina conhecida em outros ambientes de tecnologia: testar, observar e ajustar antes de ampliar a escala.

Uma porta de entrada para agentes em toda a organização

O Agent Platform atende principalmente às equipes responsáveis pela construção e administração técnica. O Gemini Enterprise app amplia esse acesso para os demais profissionais da organização.

A proposta é criar um ambiente no qual os colaboradores possam descobrir agentes existentes, criar novas soluções, compartilhar recursos e acompanhar execuções sem precisar dominar ferramentas de desenvolvimento.

O Agent Designer, integrado à aplicação, permite criar agentes no-code utilizando linguagem natural. Esses agentes podem automatizar processos que envolvem múltiplos sistemas e também podem ser acionados por eventos ou por outras aplicações corporativas.

Para organizações que pretendem democratizar o uso de agentes, essa camada é particularmente relevante. A criação deixa de depender exclusivamente de uma equipe central de tecnologia, enquanto as políticas de identidade, segurança e conformidade continuam sendo administradas de forma consistente.

O Inbox in Gemini Enterprise também centraliza o acompanhamento dos agentes, inclusive daqueles que permanecem ativos por períodos mais longos. Usuários podem monitorar execuções, ajustar configurações e receber alertas sobre o status das atividades.

A plataforma ainda incorpora Projects, que cria espaços compartilhados para equipes e agentes preservarem contexto e histórico de um determinado assunto. O objetivo é transformar esse conhecimento em um ativo permanente da organização, mesmo quando pessoas, funções ou equipes mudam.

Já o Canvas oferece um ambiente colaborativo para criação e edição de conteúdos em Google Docs e Slides, com interoperabilidade com Microsoft 365 para exportação em formatos utilizados nesses ambientes.

O ecossistema de parceiros amplia o que os agentes podem fazer

Nem toda organização precisa (ou deveria) desenvolver internamente todos os agentes de que necessita.

O Gemini Enterprise aposta, por isso, em um ecossistema aberto de parceiros. A Agent Gallery passa a reunir agentes desenvolvidos por empresas como Adobe, Salesforce, ServiceNow e Workday, permitindo que essas soluções sejam encontradas e ativadas diretamente pelo Gemini Enterprise app.

O processo também incorpora uma camada de solicitação e aprovação. O colaborador pode identificar uma solução para sua necessidade, enquanto a área de TI mantém participação na validação e autorização de agentes utilizados pela organização.

Isso cria uma alternativa ao crescimento desordenado de ferramentas de IA. Em vez de cada área buscar e contratar soluções de maneira independente, existe um ambiente no qual agentes de terceiros podem ser descobertos e disponibilizados dentro de uma estrutura centralizada.

Os agentes presentes na galeria também passam por validação da Google Cloud em relação a requisitos de segurança e interoperabilidade.

Assim, o ecossistema de parceiros não representa apenas uma expansão do catálogo de funcionalidades. Ele também cria um modelo para incorporar capacidades externas sem abrir mão dos mecanismos corporativos de controle.

A nova questão não é quantos agentes uma empresa consegue criar

A chegada de plataformas voltadas à operação de agentes muda o desafio para as organizações. Criar um agente capaz de executar uma tarefa específica pode ser relativamente simples. O verdadeiro desafio surge quando esses agentes começam a se multiplicar, acessar informações corporativas, interagir entre si e executar atividades que afetam processos reais.

Nesse cenário, desenvolvimento, identidade, segurança, observabilidade e governança deixam de ser camadas independentes. Precisam funcionar como partes de uma mesma arquitetura.

O Gemini Enterprise segue justamente essa direção ao reunir ferramentas para criação, execução, orquestração, monitoramento e controle em um mesmo ecossistema.

Para as empresas, isso significa que a adoção de IA agêntica pode deixar de ser tratada apenas como uma coleção de experimentos e começar a ser estruturada como uma capacidade operacional governada.

A questão, portanto, não é apenas quantos agentes uma organização consegue criar. É quantos agentes ela consegue colocar para trabalhar de maneira segura, coordenada, observável e alinhada aos objetivos do negócio.

Fonte:
https://cloud.google.com/blog/products/ai-machine-learning/the-new-gemini-enterprise-one-platform-for-agent-development

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