Agentes de Dashboard no Looker: quando os painéis deixam de ser destino e passam a ser ponto de partida

Durante muitos anos, a evolução do Business Intelligence foi medida pela capacidade de construir dashboards cada vez mais sofisticados. Mais indicadores, mais filtros e mais visualizações significavam mais possibilidades de análise.

Mas, por mais avançados que fossem, os dashboards sempre carregaram uma limitação importante: foram concebidos para apresentar respostas, não para sustentar uma conversa.

Em outras palavras, eles eram excelentes para mostrar o que já se sabia que precisava ser acompanhado, mas pouco preparados para lidar com as perguntas que inevitavelmente surgem depois da primeira resposta.

Os agentes de dashboard do Looker representam uma tentativa de mudar essa lógica. E talvez a inovação mais relevante não esteja na tecnologia em si, mas em uma mudança mais profunda: transformar o dashboard de um destino final em um ponto de partida para a investigação.

O problema nunca foi falta de dados

Nos últimos anos, as organizações investiram pesadamente em plataformas analíticas, governança e democratização do acesso à informação. Em muitos casos, o desafio deixou de ser encontrar os dados e passou a ser transformar informações disponíveis em conhecimento útil.

A abundância de dashboards resolveu parte do problema, mas criou outro.

À medida que o volume de informações cresceu, aumentou também a necessidade de interpretar resultados, conectar indicadores e entender relações que nem sempre estavam previstas na construção original dos painéis.

Isso fez com que muitas empresas desenvolvessem um paradoxo curioso: os dados estavam acessíveis para todos, mas a capacidade de extrair contexto continuava concentrada em poucas pessoas.

A análise deixa de ser uma sequência de cliques

Talvez a principal inovação trazida pelos agentes esteja na mudança da experiência analítica.

Tradicionalmente, analisar dados significa navegar por páginas, selecionar filtros e alternar entre relatórios em busca de respostas. Trata-se de uma jornada baseada na estrutura construída por quem desenvolveu os painéis.

A proposta agora é diferente.

Em vez de adaptar seu raciocínio à estrutura do dashboard, o usuário pode seguir a própria linha de pensamento. Uma resposta gera uma nova pergunta. A nova pergunta conduz a outra investigação. O processo se aproxima muito mais da forma como as pessoas raciocinam naturalmente.

Essa é uma mudança aparentemente simples, mas que pode redefinir a relação entre usuários e plataformas analíticas.

O papel dos especialistas também começa a mudar

Toda evolução tecnológica relevante acaba alterando a distribuição do trabalho, e com analytics não é diferente.

Por muito tempo, analistas e equipes de BI atuaram como tradutores entre as perguntas do negócio e as respostas presentes nos dados. Grande parte do tempo dessas equipes foi consumida por demandas recorrentes: esclarecer métricas, gerar novos relatórios e fornecer contexto para informações já existentes.

À medida que os usuários ganham maior capacidade de exploração, os especialistas tendem a assumir uma função diferente.

Menos intermediários entre perguntas e respostas e mais responsáveis por garantir qualidade, contexto e consistência dos dados. O valor deixa de estar apenas na construção de dashboards e passa a estar na capacidade de criar fundações analíticas sólidas sobre as quais toda a organização pode investigar com segurança.

A próxima fronteira do BI talvez seja a experiência

Durante décadas, o mercado de analytics competiu em torno de performance, visualizações e quantidade de recursos disponíveis.

Mas, conforme essas capacidades se tornam cada vez mais maduras, surge uma nova dimensão de diferenciação: a experiência.

A pergunta deixa de ser quantos dashboards uma plataforma consegue produzir e passa a ser quão facilmente ela permite transformar curiosidade em entendimento.

Nesse cenário, a qualidade da interação pode se tornar tão importante quanto a qualidade dos próprios dados.

Confiança continua sendo a condição indispensável

Naturalmente, ampliar a autonomia dos usuários só faz sentido se a confiança for preservada.

A história recente da inteligência artificial mostrou que respostas rápidas nem sempre são suficientes. Em ambientes corporativos, rastreabilidade, governança e transparência continuam sendo requisitos fundamentais.

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Por isso, o avanço dos agentes conversacionais não elimina a importância das estruturas analíticas construídas ao longo dos últimos anos. Pelo contrário. Quanto mais simples se torna a experiência de uso, mais importante se torna a qualidade das fundações que sustentam essa experiência.

O que essa evolução realmente sinaliza

Os agentes de dashboard talvez sejam lembrados menos por adicionar conversação aos painéis e mais por representarem uma mudança de paradigma.

Se a primeira geração do Business Intelligence foi marcada pela produção de relatórios e a segunda pela disseminação dos dashboards, a próxima fase pode ser caracterizada pela redução da distância entre perguntas e conhecimento.

Porque, no final, o objetivo nunca foi produzir mais gráficos.

Sempre foi permitir que as pessoas compreendessem melhor o que está acontecendo e transformassem esse entendimento em decisões.

E é justamente aqui que está a verdadeira inovação.

Fonte de apoio:
https://cloud.google.com/blog/products/business-intelligence/dashboard-agents-in-looker

Ativo 22nicolas

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